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No Brasil, até o passado é imprevisível



Varejo


“No Brasil, até o passado é imprevisível”


Uma frase do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan ilustra o cenário de dificuldades e de contradições comuns ao Brasil, país que tem tudo para ser uma potência econômica mas que não consegue se livrar de amarras atadas na época da coroa. “No Brasil, até o passado é imprevisível”, disse um dos cérebros que ajudaram a conter a inflação galopante que por tantos anos dilapidou a riqueza nacional. Ser empresário no Brasil é uma aventura para poucos, principalmente quando se tem um sócio como o governo, disse em palestra em evento da Caciopar na Acimacar, em Marechal Cândido Rondon, o doutor Arthur da Igreja.
Arthur, que percorre e faz conferências em vários países, afirmou que para ter o tão almejado bem-estar social é imprescindível contar com rigor fiscal. “Sem dinheiro não há como distribuir dinheiro”, afirmou, para mostrar a importância das empresas, da segurança jurídica e do estímulo econômico. Em menos de 30 anos, a carga tributária brasileira cresceu quase 20%., saltando de 22% na época da Constituição de 1988 para quase 40% do PIB (Produto Interno Bruto) agora. Acima disso, como alguns chegam a defender, é um caminho sem volta para o colapso. Não haverá mais espaço para a sobrevivência das empresas que, gradativamente, entrarão em insolvência.
A recuperação econômica passa obrigatoriamente, conforme Arthur, pela reforma da previdência. Em média, as pessoas se aposentam aos 58 anos no Brasil enquanto que no mundo a idade é de 66 anos. As famílias paranaenses, seguiu ele, são as mais endividadas do País. São 86% com algum tipo de débito e 12% não sabem como honrarão o compromisso. E o FGTS inativo, que fará bem sim a alguns aspectos econômicos, não aquecerá o setor produtivo, porque 84% dos que têm a receber colocarão no bolso valor inferior a R$ 800. “Não dá para pagar dívidas e sair comprando”, observou o doutor em economia e professor da Fundação Getúlio Vargas.

Tecnologia

O Brasil, ainda preso a problemas tão básicos, tem outro desafio gigantesco pela frente, a tecnologia e as mudanças que ela provoca no mundo corporativo e nas relações de consumo. “Vamos nos recuperar, mas será em uma lenta e longa trajetória”, disse Arthur, para ressaltar que as coisas que exporiam não são tendências e sim mudanças já em curso em alguns países do mundo. Em 2006, apenas uma das empresas que figuravam entre as bilionárias do mundo eram de tecnologia. Dez anos depois, apenas uma delas não é. A Nike precisou de 24 anos para estar entre as bilionárias. Hoje, o percurso é de apenas dois anos.
O ano de 1997 foi o marco da internet para muitos países e hoje são quatro bilhões de pessoas conectadas em todo o mundo. “O que no passado demorava 75 anos para ocorrer em todas as suas fases, hoje consome apenas 19 dias”. Em média no mundo, as pessoas passam 51% do seu tempo on-line, ligadas a alguma plataforma de comunicação tecnológica. Essas mudanças todas impactam no cotidiano das empresas, que têm dificuldades em entender como vender e potencializar seus negócios. O melhor, segundo indicam as pesquisas, é aliar o off-line (loja física) com o e-commerce (loja virtual). Essa junção leva o nome de omnichannel. “A empresa está em todas as plataformas”.

Cognitiva

Uma das novidades dessa nova era é a computação cognitiva, que faz a leitura das informações geradas pelas preferências dos internautas. Essa interpretação indica com mais segurança como e onde investir, ajudando a enxergar possibilidades de novos negócios. A tecnologia está e ficará ainda mais incorporada à vida das pessoas e das empresas, disse Arthur, que deu o exemplo da Amazon, que desenvolveu um aplicativo para supermercado que permite compras sem caixa, sem fila e sem pagamento. Os valores são contabilizados, a fatura é fechada e descontada automaticamente. “O futuro está aí e precisamos estar preparados para ele”.

Legenda
O doutor em economia Arthur da Igreja, que participou do encontro da Caciopar na Acimacar